Introdução:
Nos últimos anos temos assistido a pregação de um evangelho
voltado aos direitos dos homens; esse falso evangelho já foi refutado por
homens de Deus do passado como Lutero, Calvino, Knox, Spurgeon, Edwards e tantos
outros que, comprometidos com as verdades bíblicas. Por considerarem como irrevogável
as palavras das Escrituras, esses homens nos deixaram um legado que chamamos de
Teologia Reformada.
Dentro dessa teologia, entendemos que a salvação é toda
pertencente a Deus (Jonas 2. 9). Pelo fato de a salvação pertencer somente a
Deus, o ser humano não tem participação alguma nesse processo; muitos podem
reivindicar usando o argumento “participamos da salvação com a fé”, mas,
segundo a Escritura a fé é um dom de Deus, um presente que recebemos dEle (
Efésios 2.8).
Não há saída para justificar o sinergismo (a visão que o
homem participa com Deus da salvação), a Escritura é clara em nos informar que
não há participação humana e de nenhuma criatura nasalvação.
Pelo fato de a salvação ser totalmente obra de Deus
(monergismo), todos nós deveríamos glorificá-lo e agradecê-lo por isso de forma
humilde, porém, muitos de nós ficam indignados pelo fato de não participarmos
da obra salvífica e, até mesmo chamam Deus de
injusto se a salvação for mesmo monergistica. Nesse caso, é comum ver os
adeptos do sinergismo construírem uma exegética que direciona para sua visão
soteriológica particular; ao invés de se submeter a revelação divina sobre a
salvação, eles, forçam os textos a concordarem com suas opiniões, muito
parecido com que os católicos romanos fazem e seitas como as Testemunhas de
Jeová também. Não há uma submissão aos textos bíblicos, mas uma manipulação
deles para que amparem suas heresias.
Hoje são maioria os adeptos da teologia arminiana, não por
essa refletir a verdade, mas, por ser mais próxima com o desejo de autonomia do
ser humano. Não é de hoje que o homem quer se ver livre de Deus, e, os que tem
medo das chamas do inferno (no sentido desse temor único com relação a punição
divina), que é uma motivação equivocada para a busca do Senhor, constroem um
deus muito aquém da revelação da Escritura, um deus segundo suas imaginações
que se enquadra com suas próprias opiniões.
O resultado da teologia sinergista, e mais particularmente a
teologia arminiana, é um deus incapaz; ele quer salvar as pessoas mas está
condicionado a resposta positiva de suas criaturas. É um deus que coloca suas
criaturas acima de si mesmo e dá a elas o direito da última resposta, diferente
do supremo juiz que a Bíblia nos apresenta. Já disseram que essa minha
afirmação é digna de risos, mas ela é uma conclusão lógica inevitável, que uma
pessoa honesta consegue chegar.
O primeiro passo.
Para que desfrutássemos da salvação em Cristo, Deus
providenciou isso na eternidade, ou seja, Deus, segundo sua sabedoria e
beneplácito, já havia planejado os que iriam ser salvos, isso mesmo antes da
fundação do mundo (Efésios, capítulo 1). Essa visão chama-se
supralapsarianismo, ou seja, Deus decretou a salvação dos eleitos antes de ter
decretado a queda. Por que Ele fez isso? Porque Ele é Deus e isso O agradou
(Romanos 9. 20. Cf. Efésios 1. 5). Não há necessidade de discutirmos as
decisões de Deus uma vez que estamos cientes e de acordo com os atributos
perfeitos de Deus.
Se Ele fez isso porque O agradou, e sendo Ele perfeitamente
sábio, devemos aceitar suas decisões com reverência, tremor e temor, com
humildade.
A salvação dos eleitos teve seu primeiro passo na mente de
Deus; Deus sempre foi e sempre será o agente da Salvação do Seu povo, Sua
Igreja, e Ele decidiu tudo isso antes mesmo de ter criado o mundo (Efésios 2.
4).
A queda.
Sabemos que a escolha de Deus relacionada a salvação se deu
na eternidade, não porque simplesmente achamos isso arbitrariamente, mas porque
textos nos afirmam isso: “Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do
mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos
PREDESTINOU para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo,
segundo o BENEPLÁCITO de sua vontade. (Efésios 1. 4-5). E é bem claro que, levando
em consideração a lógica dos fatos, essa escola foi antes da queda, já que a
queda ocorre dentro do nosso tempo e não na eternidade, embora sendo Deus
atemporal, tudo já está consumado em Sua mente.
Levando somente em consideração os fatos temporais, ou seja,
a ordem em que elas ocorrem em nosso tempo, é de estrema necessidade
entendermos os resultados da queda do primeiro casal.
Os primeiros seres humanos, Adão e Eva, desobedeceram a
Deus, estes como representantes federais de toda a raça humana, nos incluiu na
mesma sentença em que foram sentenciados. Deus havia expresso que, quando eles
O desobedecessem haveria uma separação (morte) que levaria o homem ao declínio em
todas as áreas de sua vida (depravação total). Esse declínio faz do homem
incapaz de retornar a Deus por sua própria iniciativa. (Gênesis 2. 17. Cf.
Romanos 3. 9-23; 6. 23; Isaías 64. 6-7).
Poderíamos simplesmente dizer que Adão é o cabeça da raça
humana por decreto divino, é de fato é; mas é justo informarmos passagens
bíblicas que fazem essa afirmação: Romanos 5.12, 15, 17-19.
Mortos.
Segue o texto na Nova Versão Internacional:
“Vocês estavam MORTOS em suas transgressões e pecados (...)
deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos
MORTOS em transgressões e pecados – pela graça vocês são salvos.”
(Efésios 2. 1, 5).
Quando afirmamos que o ser humano sem Cristo, em estado
natural está morto, não é uma afirmação fruto de nossa imaginação; é a própria Escritura
que faz essa afirmação.
É claro que “mortos” aqui não deve levar o sentido de morte
física, no qual paramos de respirar e nossos órgãos param de funcionar, mas
devemos levar em conta a morte no sentido de separação, declínio moral e
incapacidade de seres humanos agradarem
a Deus, porque estão mortos espiritualmente e afundados em seus pecados. Outra
passagem bíblica diz: “não há quem faça o bem, não há nenhum sequer.” (Romanos
3. 12b)
A ilustração bíblica nos direciona a entender que “morte” é
a ausência de funções cognitivas para entender as coisas espirituais: “Ora, o
homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura;
e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios
2. 14)
Segundo passo: A regeneração para a salvação.
Sendo o homem natural, morto, incapaz de se achegar salvificamente
a Deus, sendo ele incapaz de fazer o bem como mostra os textos citados
anteriormente, como que esse ser humano pode ser salvo, se a salvação, todo seu
processo necessita que o salvo entenda o que Deus fez e está fazendo? Sim a
salvação (pela fé) vem por meio da pregação, que sugere que quem está ouvindo a
pregação (pela Palavra) entenda o que está sendo pronunciado (Romanos 10. 17).
Dissemos no começo que a salvação é totalmente obra de Deus,
não tem nenhuma participação do ser humano, e esse princípio é claro nas
próprias palavras de Jesus: “Quando ele (Espírito Santo) vier, convencerá o
mundo do pecado, da justiça e do juízo...” (João 16. 8).
O que Jesus está querendo dizer é que, quem convence os
homens que eles são pecadores e merecedores do castigo divino é o Espírito
Santo, não é o próprio homem quem se convence. Muitos pegariam a palavra “mundo”
para se referir a universalidade da salvação, mas isso não se aplica, pois esse
“convencimento” é parte do processo de salvação, muitos que ouviram o evangelho
e não foram salvos, não são salvos devido o Espírito não tê-los convencido, se
os tivesse eles estariam salvos, teriam se arrependido e crido em Jesus. O
convencimento não é mera informação, mas o princípio da regeneração, da
recuperação cognitiva espiritual perdida na queda e transmitida por decreto a
todos da raça humana. Esse é o “novo nascimento” que Jesus fala a Nicodemos em
João capítulo 3. Se não houver essa ação do Espírito, se não nascermos dEle e
da água (que significa Seu derramamento sobre a Igreja, os eleitos), não
teremos noção que estamos em inimizade contra Deus, por isso é necessário
nascermos de novo para desfrutarmos do Reino(a totalidade da salvação).
Lembre-se das passagens de Efésios 2, Ele nos VIVIFICOU quando
estávamos MORTOS; é necessário que haja ressureição para que nossos ouvidos e
olhos decompostos pela morte espiritual, ouça e veja a salvação! Caso ao
contrário a salvação não aconteceria nunca. A ordem do processo não é que
recebemos a informação para sermos regenerados, mas somos regenerados antes de
recebermos a informação, se assim não fosse, a informação seria-nos ininteligível,
não a entenderíamos.
Isso nos deve levar humilhados aos pés de nosso Senhor, que
teve misericórdia de nós, imerecedores, nos regenerando e nos salvando.
Sim a salvação é impossível, para o homem, mas para Deus
nada é impossível (Mateus 19.26). “Ele nos tirou do império das trevas e nos
levou para o reino do seu Filho amado” (Colossenses 1. 13).
Ao invés desse fato ascender nossa indignação contra Deus,
devemos sim, termos segurança na obra que Cristo fez por nós na cruz, pois não
teve participação de seres humanos falhos
que somos, ao contrário, foi obra total de um Deus soberano e perfeito.
Ao invés de discutirmos com Deus, devemos agradecê-lo por Sua obra em nossas
vidas, por ter nos constituído Igreja, corpo da cabeça de Seu Filho Jesus!