terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Regeneração: O “segundo” passo de Deus para a salvação de pecadores.



Introdução:

Nos últimos anos temos assistido a pregação de um evangelho voltado aos direitos dos homens; esse falso evangelho já foi refutado por homens de Deus do passado como Lutero, Calvino, Knox, Spurgeon, Edwards e tantos outros que, comprometidos com  as verdades bíblicas. Por considerarem como irrevogável as palavras das Escrituras, esses homens nos deixaram um legado que chamamos de Teologia Reformada.
Dentro dessa teologia, entendemos que a salvação é toda pertencente a Deus (Jonas 2. 9). Pelo fato de a salvação pertencer somente a Deus, o ser humano não tem participação alguma nesse processo; muitos podem reivindicar usando o argumento “participamos da salvação com a fé”, mas, segundo a Escritura a fé é um dom de Deus, um presente que recebemos dEle ( Efésios 2.8).
Não há saída para justificar o sinergismo (a visão que o homem participa com Deus da salvação), a Escritura é clara em nos informar que não há participação humana e de nenhuma criatura nasalvação.
Pelo fato de a salvação ser totalmente obra de Deus (monergismo), todos nós deveríamos glorificá-lo e agradecê-lo por isso de forma humilde, porém, muitos de nós ficam indignados pelo fato de não participarmos da obra salvífica e, até mesmo chamam Deus de  injusto se a salvação for mesmo monergistica. Nesse caso, é comum ver os adeptos do sinergismo construírem uma exegética que direciona para sua visão soteriológica particular; ao invés de se submeter a revelação divina sobre a salvação, eles, forçam os textos a concordarem com suas opiniões, muito parecido com que os católicos romanos fazem e seitas como as Testemunhas de Jeová também. Não há uma submissão aos textos bíblicos, mas uma manipulação deles para que amparem suas heresias.
Hoje são maioria os adeptos da teologia arminiana, não por essa refletir a verdade, mas, por ser mais próxima com o desejo de autonomia do ser humano. Não é de hoje que o homem quer se ver livre de Deus, e, os que tem medo das chamas do inferno (no sentido desse temor único com relação a punição divina), que é uma motivação equivocada para a busca do Senhor, constroem um deus muito aquém da revelação da Escritura, um deus segundo suas imaginações que se enquadra com suas próprias opiniões.
O resultado da teologia sinergista, e mais particularmente a teologia arminiana, é um deus incapaz; ele quer salvar as pessoas mas está condicionado a resposta positiva de suas criaturas. É um deus que coloca suas criaturas acima de si mesmo e dá a elas o direito da última resposta, diferente do supremo juiz que a Bíblia nos apresenta. Já disseram que essa minha afirmação é digna de risos, mas ela é uma conclusão lógica inevitável, que uma pessoa honesta  consegue chegar.

O primeiro passo.

Para que desfrutássemos da salvação em Cristo, Deus providenciou isso na eternidade, ou seja, Deus, segundo sua sabedoria e beneplácito, já havia planejado os que iriam ser salvos, isso mesmo antes da fundação do mundo (Efésios, capítulo 1). Essa visão chama-se supralapsarianismo, ou seja, Deus decretou a salvação dos eleitos antes de ter decretado a queda. Por que Ele fez isso? Porque Ele é Deus e isso O agradou (Romanos 9. 20. Cf. Efésios 1. 5). Não há necessidade de discutirmos as decisões de Deus uma vez que estamos cientes e de acordo com os atributos perfeitos de Deus.
Se Ele fez isso porque O agradou, e sendo Ele perfeitamente sábio, devemos aceitar suas decisões com reverência, tremor e temor, com humildade.
A salvação dos eleitos teve seu primeiro passo na mente de Deus; Deus sempre foi e sempre será o agente da Salvação do Seu povo, Sua Igreja, e Ele decidiu tudo isso antes mesmo de ter criado o mundo (Efésios 2. 4).

A queda.


Sabemos que a escolha de Deus relacionada a salvação se deu na eternidade, não porque simplesmente achamos isso arbitrariamente, mas porque textos nos afirmam isso: “Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos PREDESTINOU para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o BENEPLÁCITO de sua vontade. (Efésios 1. 4-5). E é bem claro que, levando em consideração a lógica dos fatos, essa escola foi antes da queda, já que a queda ocorre dentro do nosso tempo e não na eternidade, embora sendo Deus atemporal, tudo já está consumado em Sua mente.
Levando somente em consideração os fatos temporais, ou seja, a ordem em que elas ocorrem em nosso tempo, é de estrema necessidade entendermos os resultados da queda do primeiro casal.
Os primeiros seres humanos, Adão e Eva, desobedeceram a Deus, estes como representantes federais de toda a raça humana, nos incluiu na mesma sentença em que foram sentenciados. Deus havia expresso que, quando eles O desobedecessem haveria uma separação (morte) que levaria o homem ao declínio em todas as áreas de sua vida (depravação total). Esse declínio faz do homem incapaz de retornar a Deus por sua própria iniciativa. (Gênesis 2. 17. Cf. Romanos 3. 9-23;  6. 23; Isaías 64. 6-7).
Poderíamos simplesmente dizer que Adão é o cabeça da raça humana por decreto divino, é de fato é; mas é justo informarmos passagens bíblicas que fazem essa afirmação: Romanos 5.12, 15, 17-19.

Mortos.

Segue o texto na Nova Versão Internacional:
“Vocês estavam MORTOS em suas transgressões e pecados (...) deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos  MORTOS em transgressões e pecados – pela graça vocês são salvos.” (Efésios 2. 1, 5).
Quando afirmamos que o ser humano sem Cristo, em estado natural está morto, não é uma afirmação fruto de nossa imaginação; é a própria Escritura que faz essa afirmação.
É claro que “mortos” aqui não deve levar o sentido de morte física, no qual paramos de respirar e nossos órgãos param de funcionar, mas devemos levar em conta a morte no sentido de separação, declínio moral e incapacidade de seres humanos  agradarem a Deus, porque estão mortos espiritualmente e afundados em seus pecados. Outra passagem bíblica diz: “não há quem faça o bem, não há nenhum sequer.” (Romanos 3. 12b)
A ilustração bíblica nos direciona a entender que “morte” é a ausência de funções cognitivas para entender as coisas espirituais: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1 Coríntios 2. 14)

Segundo passo: A regeneração para a salvação.

Sendo o homem natural, morto, incapaz de se achegar salvificamente a Deus, sendo ele incapaz de fazer o bem como mostra os textos citados anteriormente, como que esse ser humano pode ser salvo, se a salvação, todo seu processo necessita que o salvo entenda o que Deus fez e está fazendo? Sim a salvação (pela fé) vem por meio da pregação, que sugere que quem está ouvindo a pregação (pela Palavra) entenda o que está sendo pronunciado (Romanos 10. 17).
Dissemos no começo que a salvação é totalmente obra de Deus, não tem nenhuma participação do ser humano, e esse princípio é claro nas próprias palavras de Jesus: “Quando ele (Espírito Santo) vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo...” (João 16. 8).
O que Jesus está querendo dizer é que, quem convence os homens que eles são pecadores e merecedores do castigo divino é o Espírito Santo, não é o próprio homem quem se convence. Muitos pegariam a palavra “mundo” para se referir a universalidade da salvação, mas isso não se aplica, pois esse “convencimento” é parte do processo de salvação, muitos que ouviram o evangelho e não foram salvos, não são salvos devido o Espírito não tê-los convencido, se os tivesse eles estariam salvos, teriam se arrependido e crido em Jesus. O convencimento não é mera informação, mas o princípio da regeneração, da recuperação cognitiva espiritual perdida na queda e transmitida por decreto a todos da raça humana. Esse é o “novo nascimento” que Jesus fala a Nicodemos em João capítulo 3. Se não houver essa ação do Espírito, se não nascermos dEle e da água (que significa Seu derramamento sobre a Igreja, os eleitos), não teremos noção que estamos em inimizade contra Deus, por isso é necessário nascermos de novo para desfrutarmos do Reino(a totalidade da salvação).
Lembre-se das passagens de Efésios 2, Ele nos VIVIFICOU quando estávamos MORTOS; é necessário que haja ressureição para que nossos ouvidos e olhos decompostos pela morte espiritual, ouça e veja a salvação! Caso ao contrário a salvação não aconteceria nunca. A ordem do processo não é que recebemos a informação para sermos regenerados, mas somos regenerados antes de recebermos a informação, se assim não fosse, a informação seria-nos ininteligível, não a entenderíamos.
Isso nos deve levar humilhados aos pés de nosso Senhor, que teve misericórdia de nós, imerecedores, nos regenerando e nos salvando.
Sim a salvação é impossível, para o homem, mas para Deus nada é impossível (Mateus 19.26). “Ele nos tirou do império das trevas e nos levou para o reino do seu Filho amado” (Colossenses 1. 13).
Ao invés desse fato ascender nossa indignação contra Deus, devemos sim, termos segurança na obra que Cristo fez por nós na cruz, pois não teve participação de seres humanos falhos  que somos, ao contrário, foi obra total de um Deus soberano e perfeito. Ao invés de discutirmos com Deus, devemos agradecê-lo por Sua obra em nossas vidas, por ter nos constituído Igreja, corpo da cabeça de Seu Filho Jesus!