segunda-feira, 31 de março de 2014

Todos pecaram e carecem da glória de Deus... (Romanos 3.23a)



Vamos, por enquanto guardar somente essa primeira parte da passagem citada acima, e depois no decorrer deste estudo (que será feito mais de uma parte) falaremos sobre o restante.

Ao analisarmos esse texto de forma simples dificilmente chegaremos a uma conclusão aprofundada, a não ser que arrazoemos sobre ele de forma mais detalhada.  De primeira impressão e até por outros estudos que obtivemos no decorrer da nossa jornada cristã, sabemos que a nossa carência de Deus está relacionada ao pecado que nos separa Dele, e que se não é pela pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, não obteremos acesso a Ele.

Pelo que se pode ver, a resposta já está dada, do “por que carecemos da glória de Deus?”, agora a pergunta que devemos responder é: “por que pecamos?”

Poderemos falar da seriedade do pecado em outra ocasião, e porque ele nos separa de Deus em outro texto, mas agora vamos nos empenhar em saber porque  o ser humano peca e continua a pecar.

Tudo começa no começo


Sim, tudo começa e tem origem em algum ponto inicial. Redundante? Claro que é, mas isso é para ver como o entendimento disso é simples e como tradições posteriores a Reforma Protestante (e até algumas anteriores) deturparam isso.
“E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia e, que dela comeres, CERTAMENTE MORRERÁS.” (Gênesis 2. 16-17; grifo meu).
O texto acima está relacionado a momentos posteriores da conclusão da criação do mundo e de todos os seres vivos. Concluindo Deus tudo, ele achou tudo muito bom (Gênesis 1.31) e designou o homem como Seu administrador (Gênesis 1. 28).
Ao contrário de que muitas filosofias pensam, o cristianismo é uma filosofia que pensa de forma lógica, organizada e que usa padrões e parâmetros para que tenhamos limitações, direitos e também liberdade(eu chamaria isso de vontade ou função da mente, mas vamos deixar isso também pra depois.). Ou seja, no Reino de Deus  não existe nada relativo, tudo é absoluto e determinado por Ele que nos deu parâmetros claros de como deveríamos viver. Isso pode soar arbitrário da parte Dele, porém lembremos que Ele é o criador de tudo e que Ele mantém tudo o que Ele criou; e se por “arbitrário” queremos dizer que Deus faz o que Ele quer e na hora que quer, ok!, que assim seja pois Ele é Deus e nada mais justo que Ele o faça assim, eu não tenho nenhuma dificuldade de aceitar isso, ao contrário de muitos por aí. A Deus toda glória e domínio!
Agora, o que o texto de Gênesis 2 tem haver com isso? Tudo! Lembre que eu disse que Deus trabalha com padrões e parâmetros e nada é relativo, Ele cria o mundo e estabelece o homem como Seu delegado, e para esse delegado ele dá uma única negativa, ou seja, só uma única proibição que é o de não se alimentar do fruto de uma das árvores do jardim que Ele criou. Longe de tentar elaborar uma teologia referente as ordens e decretos de Deus, eu me contento em aceitar que Deus estabeleceu assim porque é sábio por natureza e sabe o que fez. Essa ordem de não comer da árvore foi a melhor existente, porque é Deus e isso já seria uma resposta suficiente não questionando assim o caráter de Deus. Agora tomemos o texto para analisarmos: Ele claramente dá uma ordem e diz o resultado do descumprimento dessa ordem: MORTE! Sim, o descumprimento dessa ordem resultaria em morte, mas embora muitos teólogos se refiram a essa “morte” como morte física, eles a fazem de forma que através de uma análise mais crítica, observamos que há pelo menos mais uma possibilidade que é a “morte espiritual” ou a separação de do homem com relação à Deus.
O que me faz descartar a primeira possibilidade? Bom, temos que trabalhar com a lógica nesse caso. Lembremos que Deus faz o homem e o manda procriar (Gênesis 1.28), se porventura o homem antes da queda não passava pela morte física, ou a degeneração física que resultasse velhice e consequentemente  sua morte, como estaria a Terra sem a queda, com o homem procriando e nunca morrendo? Longe de mim pensar que Deus não tivesse uma solução pra isso, creio que Deus resolveria essa questão facilmente, mas minha intenção é dar mais de uma alternativa de interpretação antes de aceitarmos uma por conveniência.
E por que, nesse caso a morte física seria ruim? Mais na frente vemos um texto bíblico em Eclesiastes que diz que a alma do homem volta a Deus (Eclesiastes 12. 7); se esse for o caso, porque devo encarar como absoluta essa interpretação de que o homem não deixaria de existir  fisicamente se não houvesse queda?
Antes disso temos boas razões para advogar a segunda interpretação, a que a morte no caso de Gênesis 2 está se referindo a separação do homem com ralação a Deus. O Novo Testamento nos dá um vislumbre disso: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados (...),Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)...” (Efésios 2:5).
Vejam acima: Quando “estávamos mortos em ofensas e pecado” Jesus nos vivificou! O que seria ofensa a Deus se não a desobediência? O pecado é fazer tudo aquilo que Deus desaprova ou deixar de fazer aquilo que Deus aprova, ou seja: DESOBEDIÊNCIA. O homem quando desobedeceu a Deus no paraíso, ele pecou e morreu, tendo Cristo que nos vivificar novamente.
E por que o pecado de Adão e Eva nos afeta e nos separa da glória de Deus? Eu poderia responder simplesmente de que é assim porque a Bíblia diz e porque Deus quis assim como segue o texto: “Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei.
No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.
Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.
E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.
Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.” (Romanos 5:13-19)
Mas existem duas teorias que tentam explicar porque em Adão todos somos pecadores: A primeira diz que a culpa dela é herdada por nós através do gene; a segunda teoria é chamada de “teoria legal”, ou seja, Adão como o cabeça federal da raça humana e tendo direitos legais sobre toda ela, ao pecar colocou todos os seres humanos legalmente culpáveis por seu ato.
A uma terceira na qual eu não teria problema nenhum em assumir, que é por decreto de Deus, que somos culpáveis em Adão.
Mas fico com “é por que a Bíblia diz”, simplesmente porque a Bíblia é a Palavra de Deus e ela não erra, porque Deus não erra.
Com isso concluímos que todos pecamos porque já nascemos pecadores, sem passarmos nossa responsabilidade para Adão e Eva por sermos assim. Devemos fazer como Davi que diz: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Salmos 51:5) Embora Davi assuma seu nascimento iniquo, ele não repassa a responsabilidade para sua mãe ou seus antepassados, ele assume sua responsabilidade e só salienta que o fato dele ser assim é porque ele já nasceu assim.

No mundo de hoje nós nos deparamos com pessoas que passam a responsabilidade para outras mas nunca assumem as suas próprias, é o caso do socialismo/comunismo, que diz que o individuo nunca tem culpa de nada, sempre são a classe burguesa que oprime e leva a pessoas a cometerem crimes para sobreviver. Longe disso, a Escritura declara o homem culpado e condenável merecedor do inferno.

Como se livrar dessa condenação? Isso responderemos na segunda parte desse estudo.

William Roberto Zani.